Arnesto & Ernesto

São dois velhinhos, sentados num banco de praça, que conversam aleatoriamente sobre os mais variados assuntos. Um fala uma coisa e o outro responde. Têm sensos de humor diferentes.

É um autômato, todo feito em Arduino, controlando servo-motores para a boca e braços dos dois. Na cabeça de cada um deles existe um pequeno alto-falante, de onde saem os sons das vozes de cada um.

Eu estou estudando uma série de coisas com isso, inclusive um vínculo entre a dramaturgia e a programação de computadores, que é um negócio antigo na minha vida de artista. Timing, gags, comédia, automatismos.

Eu estou gravando as vozes de cada um dos senhores e organizando a coisa toda por tipos. Tenho as frases afirmativas, as perguntas, as discordâncias, as opiniões, etc… O software sorteia (‘posso dizer que improvisa’) um tipo de frase e depois escolhe uma entre as diversas. O velhinho lança a frase e o outro vai responder de acordo.

Também gerei um aleatório para o senso de humor do personagem, que vai determinar que tipo de frase ele vai escolher e como ele vai reagir à resposta do outro. Um sorteio atrás do outro, com estatísticas que se vão reduzindo ou ampliando de maneira que fica parecendo que os dois sujeitos têm uma mente e que realmente estão conversando.

Mas não. A única mente é a de quem vê. A narrativa é construída na interpretação de quem assiste.

É uma brincadeira profunda essa.

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